SRIJ assume a responsabilidade pelo bloqueio da Carbon Games

Recebemos, há poucos instantes por email, a confirmação oficial de que o bloqueio feito em Novembro à Carbon Games foi resultado de um pedido efectuado pelo SRIJ, Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, e tudo não passou de um lapso.

Um lapso que, segundo os próprios, foi prontamente corrigido assim que foi detectado. Quase dois meses, foi o tempo que demorou a detectar um lapso destes. E se não tivesse sido a notícia que aqui divulgamos, provavelmente assim continuaria durante muito mais tempo.

Confirmamos que já foi reposto o normal funcionamento do www.carbongames.com durante a tarde de hoje.

Ficam ainda muitas perguntas no ar: como é que acontece um erro destes? Não há validações dos sites que são enviados para a lista negra? Como é que um site como o da Carbon Games foi parar a esta lista? Trata-se de um erro demasiado grave para passar despercebido com um pedido de desculpas.

Até ao momento, este organismo ainda não fez qualquer comentário público sobre o sucedido. Aguardamos mais informações por parte do SRIJ e vamos actualizando esta notícia assim que forem saindo mais detalhes. Acompanhem também os últimos desenvolvimentos no nosso Facebook.

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IGAC desmente iniciativa de bloqueio da Carbon Games

A IGAC, Inspecção Geral das Actividades Culturais, informou num artigo na sua página web que não tem qualquer relação com o bloqueio ao site da Carbon Games.

“A IGAC esclarece que não adotou, por iniciativa própria, ou no âmbito do memorando de entendimento celebrado para efeitos de bloqueio de sites ilegais, qualquer procedimento conducente ao bloqueio de um “site de jogos legais” designado www.carbongames.com , conforme tem sido noticiado.

Importa afirmar que a IGAC é a entidade de supervisão setorial, estritamente, para as situações onde ocorre a violação de direito de autor e direitos conexos em ambiente físico ou digital, existindo outras entidades de supervisão ou reguladoras que atuam nas respetivas áreas de
atividade, em função de legislação especial e critérios específicos que se inscrevem no âmbito das respetivas atribuições.

Os procedimentos adotados pela IGAC, neste domínio, são particularmente rigorosos e alvo de análise aturada e antecede sempre a determinação de qualquer bloqueio um pré aviso ao “dono” do sitio da internet onde, eventualmente, se observe a disponibilização pública de obras
protegidas, sem autorização dos titulares de direitos e, só após, se desenvolvem os procedimentos de análise e confirmação de ilícitos que eventualmente estejam em causa.

A situação em apreço não foi objeto de qualquer intervenção da IGAC, nem alguma vez constou de qualquer denúncia ou queixa por parte dos titulares de direitos ou seus representantes, ficando assim desmentida qualquer intervenção da IGAC na situação noticiada.”

As nossas últimas informações confirmam a versão do IGAC e do MAPiNET e remete a responsabilidade do bloqueio para o SRIJ, Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, que terá pedido o bloqueio de 43 sites de apostas no final de Novembro, com o site da Carbon Games a constar nessa lista. Até ao momento, não tivemos qualquer declaração da parte do SRIJ.

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Carbon Games garante que não foi contactada por nenhuma Entidade Reguladora

A norte americana Carbon Games, vítima do bloqueio de dia 19, publicou há minutos no seu site um Comunicado sobre o bloqueio de foi alvo. Garantem que nunca foram alvos de nenhum aviso de nenhuma Entidade Reguladora portuguesa.

A Carbon Games defende uma internet aberta e Livre.

“A Carbon Games ficou hoje consternado ao saber que os acessos ao nosso domínio foi bloqueado a todos as pessoas, jogadores ou consumidores dos maiores ISP portugueses.”, escrevem. “Tudo isto aconteceu sem qualquer aviso legal das Entidades Reguladoras portuguesas. Por engano ou incompetência, um negócio normal com clientes pagos foi afectado por um programa exagerado de bloqueio a websites considerados ‘errados’. A Carbon Games defende uma internet aberta e Livre.

James Green, Director na Carbon Games, considera que o problema deverá ter sido uma anomalia no sistema automático. “Espero que isto sirva de exemplo porque é que sistemas automáticos para bloquear os acessos às pessoas pode ser tão perigoso.”, comenta. “É uma vergonha que Portugal esteja a descer a este nível e a seguir o exemplo de outros países que tentam restringir o que os seus cidadãos vêm online.”

No entanto, abordam a situação com algum humor: “Vamos oferecer a todos os que se liguem ao AirMech [jogo da Carbon Games] durante o dia de hoje com um Soccer Ball Pet [animal de estimação bola de futebol]. Somos todos fãs da Seleção Nacional de Futebol, por isso isto parece a coisa certa a fazer. Podem bloquear o nosso site, mas não bloqueiam o nosso amor pelo futebol.”

O comunicado pode ser lido na integra no seu site clicando aqui. No entanto, tendo em conta que o domínio se encontra bloqueado, caso não tenha acesso poderá ler aqui.

Continuaremos a acompanhar a situação com os últimos desenvolvimentos no nosso Facebook e no nosso site.

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MAPiNET descarta-se do bloqueio da Carbon Games

O MAPiNET, Movimento Cívico Anti-Pirataria na Internet, informou, em comunicado, que não tem qualquer ligação com o bloqueio detectado na passada-terça feira ao site Carbon Games.

O movimento afirma que “o website WWW.CARBONGAMES.COM não consta de nenhuma lista de pedidos de bloqueio de websites enviadas à IGAC – Inspeção Geral das Atividades Culturais no âmbito do Memorando de entendimento assinado em 30 de julho de 2015.”.

Continua desconhecido qual a entidade que terá sido responsável por este bloqueio e com que motivo. Uma possibilidade poderá vir do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) do Turismo de Portugal, no entanto ainda estamos a aguardar mais desenvolvimentos.

Continuaremos a acompanhar esta situação em tempo real no nosso Facebook e pelo nosso site.

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Foi bloqueado o primeiro site legitimo em Portugal!

Actualização (21/01) – 19h40 – A SRIJ veio confirmar que foi a causadora do bloqueio e garante que o mesmo se trata de um erro… Ainda há muitas perguntas no ar…

Foi bloqueado o primeiro site legitimo em Portugal. A Carbon Games, uma empresa norte-americana de desenvolvimento de videojogos, viu o seu site bloqueado pelas várias operadoras na sequência de um pedido da Entidade Reguladora, sem qualquer motivo aparente.

Há cerca de duas semanas, no Ahoy!, implementamos um sistema de monitorização activa de sites bloqueados, de maneira a termos a possibilidade de rapidamente desbloquearmos esses novos sites. Na passada Segunda-Feira o primeiro alarme soou: Um novo site tinha sido detectado, sendo ele o www.carbongames.com. Inicialmente pensávamos que se tratava de um falso positivo visto que o site abria bem na nossa ligação, no entanto seria a primeira vez que tal aconteceu. Há poucas horas, o alarme voltou a soar para o mesmo site. Desta vez, já conseguimos confirmar que o site estava efectivamente bloqueado.

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Segundo o famoso acórdão entre a IGAC e várias entidades (privadas) de “protecção” de direitos de autor, para um site ser bloqueado terá que ter, pelo menos, 500 conteúdos ilegais, ou dois terços do repositório com obras piratas. A pergunta aqui é, como é que um site de uma empresa que produz conteúdo que deveria ser defendido por estas associações, se encaixa neste critério? É simples. Não se encaixa.

Como é que este tipo de bloqueios são feitos nas costas, sem termos direito a nenhum tipo de justificação oficial, sem termos direito a contestarmos esse bloqueio? Como é que estes bloqueios são feitos sem intervenção de um tribunal, que, no mínimo, verifique que esses “critérios” estão a ser cumpridos? Mas afinal, não vivemos num Estado de Direito?

Tivemos confirmação de que o site se encontra bloqueado na NOS, MEO e Vodafone. No entanto, há aqui um pormenor “engraçado”. É que o bloqueio apenas foi feito para o www.carbongames.com, estando o carbongames.com a funcionar correctamente.

Da nossa parte, vamos continuar a acompanhar esta situação e iremos pedir esclarecimentos à IGAC e à MAPiNET no sentido de entender o motivo desde ataque à nossa Liberdade. Sigam-nos no Facebook para acompanharem as novidades deste caso em tempo real.

Actualização (20/01, 16h) – A MAPiNET informa, em comunicado, que não sabe de nada relativamente ao bloqueio deste site. Continuaremos a nossa investigação no sentido de apurar de onde virá este bloqueio.

Actualização (20/01, 22h40) – A Carbon Games lançou um Comunicado de Impressa onde afirma que nunca foram avisados sobre o bloqueio. Conseguimos também confirmar que o bloqueio teve origem na SRIJ – Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos – e terá sido pedido à cerca de um mês.

Actualização (21/01, 16h30) – O IGAC desmente qualquer ligação ao bloqueio efectuado. 

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IGAC manda bloquear mais 50 sites, número total sobe para 183

A Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC) enviou aos operadores de telecomunicações uma nova lista de sites a serem bloqueados. Sobe assim para quase duas centenas o número de sites bloqueados em apenas quatro meses.

Depois de os operadores de telecomunicações cumprirem a sua parte do acordo, o número de sites com conteúdos ilegais bloqueados em Portugal vai subir para 183. O valor ‘engorda’ consideravelmente depois da última lista do IGAC contemplar 50 novas páginas online. Curiosamente, este número vem comprovar que o nosso sistema de monitorização activa de sites bloqueados está a funcionar correctamente, onde já temos 189 sites na lista do Ahoy!.

Em comunicado o IGAC informa que os sites agora referenciados disponibilizavam ou distribuíam “obras protegidas ao público sem autorização dos legítimos detentores de direitos, nesses domínios e subdomínios a links e ou hiperligações”. A entidade estatal faz assim valor o Memorando de Entendimento assinado em 2015 entre várias entidades e cujo documento nunca foi divulgado na integra por nenhuma das entidades envolvidas.

Desta vez, o IGAC não divulgou qualquer lista a vangloriar-se dos resultados desta campanha pouco transparente de censura online. O que é pena, visto que nos facilitava bastante o trabalho a identificar quais os sites que precisam de ser desbloqueados.

Os quase duzentos sites bloqueados ou em vias de bloqueio foram identificados no espaço de quatro meses. Para os desbloquear, recomendamos a utilização do Ahoy!, que permite aceder a uma internet livre de censura.

“Estas ações, juntamente com o combate à violação de direito de autor e direitos conexos, em ambiente físico, enquadram-se na estratégia de proteção do direito de autor e dos direitos conexos em ambiente digital e no reforço da sensibilização dos utilizadores para esta matéria”, salienta o IGAC.

No final de 2015 o Movimento Cívico Anti-Pirataria (MAPiNET), uma das entidades que assinou o memorando de entendimento e uma das que mais tem lutado contra a pirataria de conteúdos em Portugal, mostrava-se satisfeita com a aplicação do acordo.

Quanto a nós, estamos a tratar de pedir um esclarecimento oficial à IGAC para entender como é que um organismo público colabora com os interesses de vários organismos e associações privadas que defendem única e exclusivamente os seus direitos e dos seus associado. Uma colaboração que é feita da maneira obscura, escondida do público e das pessoas.

Fonte: SAPO Tek

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Fundador do The Pirate Bay cria máquina para criar prejuízos à industria musical

O co-fundador do The Pirate Bay, Peter Sunde, recentemente libertado da prisão e que cumprir sentença na Suécia, criou a derradeira máquina para causar prejuízos à indústria musical.

Peter Sunde podia ter aprendido a lição e ter ficado quieto. Mas não. Fez precisamente o oposto, continuou a investir naquilo que acreditava.

Depois de ter sido acusado de vários milhões de danos às indústrias da música e do cinema, Peter Sunde criou a máquina que vai dar muitas dores de cabeça a muita gente nestas industrias.

Para isso, precisou apenas de um Rasphberry PI, um monitor LCD e escrever algum código em Python. E assim nasceu a Kopimashin.

Mas o que é que esta máquina faz?

Este pequeno dispositivo basicamente faz cópias indeterminadamente. No seu processo em Tribunal, muitas vezes foram aquelas a que os seus acusadores alegaram o preço das “cópias” que foram feitas pelo The Pirate Bay. E nunca foram capazes de justificar, realmente, esse preço.

Por isso, o co-fundador do The Pirate Bay criou o Kopimashin que faz cópias de músicas e depois as envia para /dev/null/. Este /dev/null/ é um “directório especial” em ambientes Linux que, na realidade, quer dizer “nada”. Ou seja, depois do dispositivo fazer a cópia da música, ele apaga-a automaticamente. E volta a fazer isto tudo outra vez. Dezenas de vezes. Centenas, milhares de vezes!

O dispositivo que Peter Sunde tem em casa está a fazer o download da música Crazy de Granis Barkey, e por dia causa à indústria musical perdas no valor de 10 milhões de dólares. Isto por dia e só num dispositivo.

O que Peter Sunde quer mostrar é que a acusação dele pelas “perdas” das indústrias não são reais. E como quer levar isto até ao limite, já se “candidatou” ao Livro do Guiness com a sua invenção.

Aqui fica o vídeo de demonstração deste máquina para “chatear” muita gente:

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Google e a Privacidade: Entrevista a Stephan Micklitz

Stephan Micklitz, diretor de engenharia da equipa de Identidade, Privacidade e Segurança da Google Europa, aceitou falar com a revista Visão sobre as questões de privacidade da gigante das pesquisas. O engenheiro quer melhorar a imagem do gigante tecnológico no que toca ao respeito pela intimidade dos utilizadores dos serviços da empresa. Segue-se a transcrição da entrevista.

O que fez, neste cargo, pelo aumento da privacidade e segurança ?

O que fizemos já foi reunir, num só lugar, todas as controlos relativos à privacidade e segurança de uma conta Google, para que seja mais fácil para o utilizador. Foi a primeira vez que fizemos isto, e acho que foi um grande passo. Pusemos mais texto explicativo e tentamos simplificá-lo. Criamos uma página chamada privacy.gooogle.com onde tentamos responder às perguntas mais frequentes [FAQ]. Temos a certeza que hoje os utilizadores perceberem os controlos. Verificámos e testámos isso. Também passámos a distinguir entre estar dentro e fora da nossa conta Google, no que respeita à informação que recolhemos.

Antes de falarmos em privacidade, deveríamos definir o que é, hoje, a individualidade? É o seu próprio nome? O seu IP? O meu Gmail tem o meu nome… Como é que a Google pode dizer que não está a reunir dados pessoais?

Vou tentar responder. O que constitui a sua identidade Google é a sua conta Google. Pode ser o seu Gmail, o seu telefone, o seu identificador único. Isto é necessário, com a sua palavra-chave, para que possa ser autenticado. Nós permitimos às pessoas que usem pseudónimo. Pedimos alguns dados, mas não o seu nome verdadeiro. Nem controlamos isso a não ser que o nome do próprio Gmail seja ofensivo ou muito curto…

Acha que o conceito de metadados ainda é um conceito cientificamente válido? Ou devíamos falar só de dados?

Qual é a sua definição de metadados?

Dados sobre dados. Grandes quantidades de dados anonimizados.

Acho que é um conceito muito válido. Porque é que você acharia o contrário?

Porque uma equipa do MIT pegou nos metadados de uma operadora móvel, comparou-os com bases públicas e identificou 80% dos utentes com base em apenas dois pontos de geolocalização.

Há ai vários aspetos. Há muita pesquisa a ser feita nessa área, nomeadamente a de saber quando é que podemos mesmo provar essa ligação. Há muitas bases de dados agregadas [agregated data sets] num estado em que nenhuma ligação pode ser feita entre os metadados e os indivíduos.

Isso tornaria a informação quase inútil…

Não necessariamente. Essas bases podem ser usadas para gerir o tráfego automóvel sem se saber quem são as pessoas.

Talvez. Não sei se se lembra dos ataques da maratona de Boston. Eles foram feitos com recurso a mochilas, panela de pressão e explosivos. Passadas umas horas, um determinado IP, em que o pai tinha comprado uma mochila, a mãe uma panela de pressão e o filho lido notícias sobre os ataques, foi visitada pelas autoridades… Com recurso a metadados desanonimizados: a dados.

Penso que esses são exemplos nos quais temos de pensar muito bem. Que relações podemos e não podemos fazer? O que nós estamos a tentar fazer ao usar e armazenar bases de dados anonimizadas é encontrar o melhor equilíbrio possível. Por exemplo você tem controlo total sobre o que escreve nas suas contas Google…

Nunca tivemos nada disso [backdoors]. Já desmentimos. Só damos informação se houver uma ordem judicial.

Tem a certeza? Eu apago meus emails? Ou apenas os escondo de mim? A Google tem que ter múltiplos “backups” (memórias de armazenamento).

São apagados, tenho a certeza. Mas o primeiro passo é que não apareçam ao vivo. Existem backups, são necessários. Mas os emails serão destruídos.

Como sabe, há muita gente que afirma que nada na internet é apagável.

Não. O apagamento é possível. Mas, dado o número de backups, demora alguns dias.

Dias?

Dias. Não é instantâneo. A informação não está num único disco. Mas temos uma equipa para garantir o apagamento.

O general Keith Alexander (ex-director da NSA), Sergey Brin (cofundador da Google) e Eric Schimdt (ex-CEO da Google) reuniam com regularidade. Esta cooperação continua?

Não tenho conhecimento disso, nem sou sou a pessoa certa para responder a essa pergunta. Não sei como responder.

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Ok. Cito uma frase de Keith Alexander ao Congresso no ano passado: «Já matámos gente com base em metadados».

Certamente, os metadados, podem ser usados de forma errada. Há sempre bons usos e maus usos. O que estamos é a tentar garantir é que apenas o utilizador tenha acesso aos seus dados que os possa apagar, mudar, usar como quiser…

Ainda bem. Mas não teve a Google portas secretas (backdoors) propositadamente abertas à NSA?

Nunca tivemos nada disso. Já desmentimos. Só damos informação se houver uma ordem judicial.

A Google armazena informação que, segundo a lei europeia e portuguesa, é pessoal e sensível. Sob que legislação está? Quem pode aceder a essa informação sem a autorização de um tribunal português?

Bem, eu não sou um perito legal, nem há nenhum nesta sala [de chat].

O Portal de Saúde português estava ‘tecnicamente acessível à Google’, através da vossa ferramenta de Analytics, que está protegida por propriedade intelectual: não se sabe o que faz… [silêncio]

Não me percebeu?

Percebi, sim. Quanto ao Analytics temos tido longas conversas com a Comissão de Proteção de Dados alemã, e com outras. Na Alemanha, o operador da página está obrigado a revelar ao utilizador que usa essa ferramenta. Mas ele também pode ler sobre as nossas práticas no que respeita a esse programa [que gere o tráfego do site, informando o dono dos IP’s de quem o visita, pelo menos] isso transformou-se num acordo que o utilizador pode ler. Eu posso enviar-lho.

Abriram o software às autoridades alemãs?

Não se limita a um país, são soluções para todo o mundo.

Mas deram conhecimento dos vossos códigos às autoridades alemãs?

Não tenho a certeza do que me está a perguntar. Descrevemos em documentos escritos como é que estas ferramentas trabalham e chegamos a acordos sobre quais são os níveis certos de proteção.

A pergunta é: os vossos código-fonte estão acessíveis às autoridades?

Não vou responder a essa pergunta diretamente, porque ela não é a pergunta-chave. A pergunta chave é: como é que a ferramenta funciona e o que faz…

A informação guarda-se encriptada. Isso garante que ninguém além das pessoas que tenham acesso a uma chave possa ter acesso.

Sim, mas isso deve ser verificado.

Pode verificar-se isso através de vários mecanismos. O código-fonte é só um deles.

A Google têm alguma autorização da Comissão Nacional de Dados portuguesa?

Está a fazer uma pergunta jurídica a um engenheiro…

Pode alguém da Google ter acesso ao meu Gmail sem eu saber? Não está assim escrito nos termos de serviço.

A pergunta é como é que nós armazenamos a informação, como é que temos a certeza de que ela só é acedida de uma forma legal? Temos múltiplas formas. A informação guarda-se encriptada. Isso garante que ninguém além das pessoas que tenham acesso a uma chave possa ter acesso. Claro que o utilizador tem essa chave, que usa para se autenticar e ter acesso à sua informação, que é sua. Podemos receber pedidos judiciais e, se verificarmos que são legítimos, então damos acesso. Mas publicitamo-lo no nosso relatório de transparência.

Quantos gigabytes de informação tem a Google armazenados sobre mim?

Essa é uma pergunta que não pode ser respondida assim. Cada conta é uma conta. Algumas não têm nada, outras muito…

Então diga-me um valor médio.

Mesmo que lhe desse um número, não teria significado. Há um enorme leque de contas.

Acha que bisbilhotar de forma eletrónica é diferente de bisbilhotar?

Defina-me bisbilhotar (snooping).

Quero que me diga se acha a espionagem eletrónica a busca automática de palavras, diferente da humana.

São diferentes. Hoje sem a deteção inteligente de spam [lixo digital], os emails não funcionariam: teríamos de pensar num sistema diferente. É o spam, aliás, uma das principais razões para usarmos algoritmos inteligentes. É claro que existem coisas que um utilizador poderia fazer mas que uma máquina faz muito melhor. Temos um algoritmo claro que se vai aplicar a toda a gente, sem que estejamos a olhar para as pessoas. Não estamos a olhar para as pessoas, quando muito talvez para o remetente. Mas isso é a máquina que faz. Bem diferente de um humano com técnicas específicas.

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Então porque é que o mesmo não se passa com o algoritmo do motor de busca ? Ele não dá os mesmos resultados a toda a gente.

Sim e não. Faça uma busca em modo incógnito e compare. Pode haver diferenças, mas são mínimas. Outras verificam-se num tempo muito curto que tem a ver com as buscas que fez imediatamente antes. A palavra Golf é o nome de um desporto e também de um carro. Ora se a máquina já percebeu que procura um carro, mostra-lhe primeiro o carro. E isso é valioso para as pessoas. E o resultado de uma busca, se for bom para a maioria, normalmente também é bom para si. Por isso é que as mudanças com base na personalização são relativamente menores.

Está a falar-me de produtos. E se eu lhe falar de política? Se eu tiver feito uma pesquisa sobre Bernie Sanders e uma amiga minha a fizer por Donald Trump? E se a seguir ambos perguntarmos ao próprio motor de pesquisa: «Em quem é que eu vou votar?» Teremos os mesmos resultados?

Compreendo completamente porque é que me faz essa pergunta. Por isso é que há dados que não analisamos: Saúde, dados sensíveis, não analisamos, nem personalizamos.

E a posição política de cada um é uma delas?

Desafio-o a tentar. Penso que sim.

Pensa?

Tenho quase a certeza. Não sou eu quem trabalha essa área.

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Erro 451 é o novo erro para a censura

Os códigos de estado HTTP fazem parte do núcleo do protocolo que serve as páginas web. Sem dúvida, o mais conhecido de todos é o 404, quando uma página não é encontrada. Agora, a Internet Engineering Task Force (IETF) veio anunciar a criação de mais um código de estado, o 451, que significa que a página foi retirada por questões legais..

Por questões de transparência, para além do código, a razão que levou ao bloqueio da página deve ser incluido no corpo da resposta.

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Exemplo do erro que pode ser apresentado quando um site é bloqueado.

Este novo código deverá ser utilizado não só para bloqueios por questões de direitos de autor, como filmes do YouTube que foram removidos. Sites censurados ou bloqueados pelo ISP através de DNS deverão apresentar este código.

O número 451 também não foi por acaso. Foi retirado do livro Fahrenheit 451, um romance que fala de uma realidade onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são censuradas e o pensamento critico é suprimido.

Esta é uma boa notícia uma vez que vai ser muito mais fácil identificar conteúdo que está censurado em Portugal, e facilmente arranjar maneiras de contornar esse bloqueio. O Ahoy! agradece.

Fonte: Pplware

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Fundador do Pirate Bay: “Eu desisti”

Peter Sunde, um dos fundadores e porta-voz do The Pirate Bay aceitou, no passado dia 11 de Dezembro, dar uma entrevista ao site Motherboard. Sunde partilhou a sua opinião sobre o actual estado da Internet, da falta da liberdade e da completa indiferença das pessoas.

“A internet está uma merda, hoje. Está estragada. Esteve provavelmente sempre estragada, mas nunca esteve tão mal.”

A conversa de Joost Mollen, autor do artigo com Peter Sunde não começou de forma optimista. E há boas razões para isso: nos últimos dois meses, a cultura pirata demonstra pesados sinais de derrota na batalha pela Internet.

No último mês vimos a Demonii desaparecer. Era o maior tracker de torrents na Internet, responsável por mais de 50 milhões de trackers anualmente. A MPAA conseguiu também desligar a famosa equipa YIFY juntamente com o Popcorn Time. Cá por Portugal, todos os meses dezenas de sites estão a ser bloqueados por ordem de organismo privado e sem qualquer intervenção judicial.

Embora pareça que os piratas estejam ainda a lutar nesta batalha, Sunde afirma que a realidade é mais definitiva: “Já perdemos.”

Em 2003, Peter Sunde, juntamente com Fedrik Neij e Gottfrid Svartholm lançaram o Pirate Bay, um site que se veio a tornar o maior e mais famoso site de partilha de ficheiros no mundo. Em 2009, os três fundadores foram julgados num caso controverso onde foram considerado culpados de “ajudar [outros] a cometer violações de direitos de autor.”

Parem de tratar a internet como se fosse algo diferente, e comecem a focar-se em como querem que a vossa sociedade seja.

Motherboard: Olá Peter, estava a pensar perguntar-te como estão a ir as coisas, mas claramente não estão bem.

Peter: Não, não vejo nada de bom acontecer. As pessoas contentam-se com pouco.

Olha para a lei da Neutralidade da Internet na Europa. É terrível, mas as pessoas estão contentes e dizem “podia ser pior”. Esta atitude é errada. O Facebook leva a Internet para África e para outros países pobres, mas eles apenas dão acesso limitado ao seu próprio serviço e fazem dinheiro com pessoas pobres. E conseguem apoio dos governos para o fazer, visto que eles fazem excelente marketing.

A Finlândia tornou o acesso à Internet num direito humano à uns tempos. Foi uma boa jogada da Finlândia. No entanto, é a única coisa positiva que vejo de qualquer país no mundo relativamente à Internet.

Então, o quão mau está o estado da internet livre?

Bem, nós não temos uma internet livre. Não temos uma internet livre à bastante tempo. Portanto, não podemos falar sobre internet livre porque já não existe. O problema é que ninguém para ninguém. Estamos a perder privilégios e direitos constantemente. Não estamos a ganhar nada em lado nenhum. A tendência tem sido apenas unidirecional: uma internet mais fechada e mais controlada. Isto tem um grande impacto na nossa sociedade. Porque a sociedade é um espelho da internet. Se tens uma internet mais oprimida, tens também uma sociedade mais oprimida. Isso é algo em que nos devíamos focar.

Mas ainda se pensa na Internet como um novo tipo de Faroeste, que as coisas ainda não estão nos conformes e por isso não nos preocupamos porque vai tudo ficar bem, de alguma forma. Mas não é bem o caso. Nunca se viu tanta centralização, extrema desigualdade e extremo capitalismo em nenhum sistema antes. Mas de acordo com o marketing feito por pessoas como Mark Zuckenberg e com empresas como a Google, o objectivo é ajudar a internet livre e difundir a democracia, etc. E ao mesmo tempo, eles têm monopólios capitalistas. É como confiar que o inimigo vai ter boas ações. É bizarro.

Pensas que é por as pessoas não considerem a internet como algo real, ou um sítio real, que se preocupam menos com o seu bem estar?

Bem, uma coisa é certa, temos vindo a crescer a perceber a importância das coisas como uma linha telefónica ou a televisão. E se começássemos a tratar as nossas linhas telefónicas ou os canais televisivos como tratamos a internet, as pessoas iam ficar chateadas. Se alguém te diz que não podes ligar a um amigo ias perceber que é uma coisa bastante má que está a acontecer. Entendemos os nossos direitos. Mas as pessoas não sentem isso com a Internet. Se alguém te diz que não podes usar o Skype para isto ou para aquilo, não tens a sensação que é sobre ti em particular. Não vês ninguém a espiar-te, não vês nada censurado, não vês quando alguém apaga resultados das pesquisas do Google. Eu acho que esse é o maior problema para conseguir obter atenção das massas. Se não vês os problemas, não te sentes ligado a eles.

Eu preferia não me preocupar com isso. Porque é muito difícil fazer algo sobre isso e não te tornares num paranóico das conspirações. E não queres ser assim, por isso desistes. Acho que isso é o que as pessoas pensam.

Do que é que desististe, exactamente?

Desisti da ideia que podemos vencer esta batalha pela Internet.

A situação não vai ser diferente porque aparentemente isto é algo que as pessoas não estão interessadas em corrigir. Ou nós não conseguimos que as pessoas se interessem o suficiente. Talvez seja um pouco de ambos, mas é este tipo de situação em que estamos, por isso é inútil fazer algo em relação a isso.

Tornamo-nos, de certa forma, o Cavaleiro Negro d’O Santo Graal dos Monty Python. Temos apenas metade da nossa cabeça de sobra e ainda estamos a lutar, ainda pensamos que temos hipótese de ganhar.

Então o que podem as pessoas fazer para mudar isto?

Nada.

Nada?

Não, acho que já chegamos a esse ponto. Acho que é realmente importante que se perceba isto. Perdemos esta luta. Temos que admitir a derrota e ter a certeza que na próxima vez percebemos porque é que a perdemos para termos a certeza que não volta a acontecer e que ganhamos a guerra.

Desisti da ideia que podemos vencer esta batalha pela Internet.

Certo, então de que se trata esta guerra e o que podemos fazer para a vencer?

Acho que para ganhar a guerra primeiro temos que entender por o que estamos a lutar, e para mim é claro que estamos a lidar com uma questão ideológica: o capitalismo extremo que se vê actualmente, os lobbies poderosos existentes e a centralização de poderes. A internet é apenas uma peça de um puzzle maior.

E outra coisa com o ativismo é que é preciso obter-se momento e atenção. E nós somos muito maus nisso. Conseguimos para o ACTA, mas depois este regressou com um nome diferente. Nessa altura, já tínhamos usado todos os nossos recursos e atenção publica.

A razão pelo que o mundo real é o alvo maior, para mim, é porque a Internet é uma emulação do mundo real. Estamos a tentar recrear esta sociedade capitalista que temos actualmente, na Internet. Portanto a Internet tem sido principalmente combustível para o fogo capitalista, ao fingir de certa forma que é algo que liga todo o mundo mas que na verdade tem planos capitalistas.

Olhemos para as maiores empresas no mundo: são todas na Internet. Olhemos para o que elas vendem: nada. O Facebook não tem produto. Airbnb, a maior cadeia de hotéis do mundo não tem hotéis; a UBER, a maior companhia de taxi do mundo, não tem nenhum tipo de taxi.

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A quantidade de empregados nestas companhias é a mais pequena de sempre enquanto os lucros, por outro lado, os maiores. A Apple e a Google estão a passar as companhias petrolíferas sem grandes dificuldades. O Minecraft foi vendido por 2.6 mil milhões e o WhatsApp por 19 mil milhões. São quantias absurdas de dinheiro por nada. É por isso que a internet e o capitalismo estão tão apaixonados um pelo outro.

Disseste-me que a Internet está estragada, que esteve sempre estragada. O que é que queres dizer com isso e podemos culpar o capitalismo extremo?

Bem, o que é certo é que a Internet é muito estúpida. Funciona de uma maneira muito simples e não precisa de nenhum ajustamento para a censura. Por exemplo, se um cabo for cortado, o trafego passa por outro lado qualquer. Mas graças à centralização da Internet, a (possível) censura ou tecnologias de vigilância tornam-se muito mais difíceis de contornar. E como a Internet foi uma invenção americana, estes ainda têm controlo sobre ela e a ICANN pode forçar qualquer domínio de topo de países a ser censurado ou desligado. Isto, para mim, é um desenho estragado.

Mas a internet sempre esteve estragada, nós é que nunca nos importamos, porque sempre houve umas quantas boas pessoas que garantiam que nada de mal acontecia. Mas acho que essa é a ideia errada. O melhor é deixas que as coisas más aconteçam o mais rápido possível para que possamos corrigi-las e ter a certeza que não voltam a acontecer no futuro. Estamos todos a prolongar esta falha total inevitável, o que não nos ajuda, de todo.

Nós não temos uma internet livre. Não temos internet livre à bastante tempo.

Então, devemos apenas deixa-la rebentar e arder, pegar nas peças e recomeçar de novo?

Sim, com o foco na grande guerra contra este extremo capitalismo. Eu não pude votar, mas estava a torcer para que a Sarah Palin ganhasse as últimas eleições dos EUA. Quero que ganhe o Donald Trump este ano. Pela razão de que vai lixar o pais tão mais rápido do que se ganhar um Presidente menos mau. Todo o nosso mundo está focado em dinheiro, dinheiro, dinheiro. Esse é o maior problema. É por isso que tudo se lixa. Esse é o alvo que temos que corrigir. Temos que ter a certeza que temos um foco diferente na vida.

Possivelmente, a tecnologia vai-nos dar robôs que nos irá tirar todos os empregos, o que vai causar uma série de desemprego massiva, algo como 60 porcento. As pessoas vão ficar muito infelizes. Isto seria óptimo porque pode-se ver finalmente o capitalismo a cair forte. Vai haver imenso medo, sangue corrido, e vidas perdidas para chegar a esse ponto, mas acho que a única coisa positiva que vejo, é que vamos ter um colapso total do sistema no futuro. Espero que o mais rápido possível. Prefiro que seja quando tiver 50 do que quando tiver 85.

Isso soa-se muito com uma revolução Marxista: uma queda total do sistema capitalista.

Sim, eu concordo completamente com isso. Sou socialista. Eu sei que Marx e o comunismo não funcionaram antes, mas acho que no futuro temos a possibilidade de haver um verdadeiro comunismo e igualdade no acesso às coisas para todos. A maioria das pessoas que conheço, sejam comunistas ou capitalistas, concordam comigo nisto, porque percebem o seu potencial.

Portanto, existe algo concreto que nos devemos focar? Ou temos que apontar para uma nova forma de pensar? Uma nova ideologia?

Eu penso que nos devemos focar que a internet é exactamente igual à sociedade. As pessoas podem não entender que não é uma boa ideia ter todos os nossos dados e ficheiros no Google, Facebook e servidores de empresas. Todas essas coisas precisam de ser comunicadas pela elite política, claro. Mas temos que parar de tratar a internet como se fosse uma coisa diferente e virar a atenção para como queremos que a nossa sociedade seja. Temos que corrigir a nossa sociedade antes de corrigir a internet. É a única coisa.

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